Da semana

Uma matéria: Arte e descolonização no masp. E o tema em museus pelo mundo, Juliana Domingos de Lima para o Nexo (leia)
Uma outra matéria: A produtora mineira que tem levado o cinema periférico para o mundo, Simone freire para o Alma Preta (leia)
Um vídeo: Why should you read “Crime and Punishment”?, de Alex Gendler (veja)
Um disco: Electra, de Alice Caymmi (ouça)
Um filme:Mormaço, de Marina Meliande (trailer)
Mais uma matéria: Babayagas: Conheça o “anti-asilo” feminista que revoluciona visão da velhice na França, por Marcia Bechara para o RFI (leia)

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Ney Matogrosso: sempre “atento aos sinais”

Túnicas, calças douradas e justas, botas 7/8 com salto, casacos de penas, camisetas com decotes profundos que deixam boa parte do peito nu, colares e cintos repletos de brilhos e pedrarias, além de anéis enormes e várias pulseiras que enfeitam toda a extensão dos braços. Dá para acreditar que estamos falando do guarda-roupa de um senhor de 72 anos?

Sim, se este armário pertencer a Ney Matogrosso, artista conhecido pela ousadia, irreverência e voz única, que há mais de 40 anos, quebra padrões e sacode a música brasileira. Consciente do “burburinho” que suas aparições causam, Ney afirma que nada é muito pensado. “Eu vou pela minha intuição. Sigo despreocupado e vou fazendo o que da na minha cabeça, mas sempre muito bem acompanhado” afirma o cantor.

Prova disso é o seu novo show Atento aos Sinais – que faz voo rasante na capital capixaba no próximo dia 05 de outubro, no Arena Vitória – onde ele abre mão dos grandes sucessos para dar voz a um repertório que privilegia novos nomes da música brasileira como o rapper Criolo e a banda Tono, além da maior produção que o artista já levou aos palcos com quatro telões de led que projetam imagens criadas pelo artista Luiz Stein.

Segundo Ney, o set list arrojado de seu atual show é muito bem recebido pelo público. “Eu não observo cansaço na plateia. Percebo o público atento do começo ao fim do espetáculo” explica o cantor que deve lançar o registro em CD do novo trabalho (que já está gravado) em outubro.

Outra prova do carisma de Ney aconteceu na recente apresentação do cantor no Rock in Rio, onde ele era um dos convidados do time de músicos que homenageou Cazuza. A plateia muito jovem cantou com ele alguns dos grandes sucessos do saudoso “Agenor” em um momento que o cantor definiu como “um reencontro de amigos. Com os meninos do Barão [Vermelho], com a Bebel [Gilberto], todos com a mesma sintonia. Foi uma coisa muito amorosa”.

Fora a música o cantor anda flertando com o cinema onde protagonizou alguns curtas-metragens e o filme A Volta do Bandido da Luz Vermelha. “Eu tenho abertura para outras coisas” explica ele sobre esse envolvimento com a sétima arte e afirma que não sabe o que falta fazer depois de tantos anos de carreira. Mas de uma coisa ele tem certeza: o público adora seus shows. “Vão assistir. Aposto que vocês vão gostar” finaliza com sua gargalhada tímida.

*Texto originalmente publicado no Portal SOUES, em 30 de setembro de 2013.

Da semana

Um clipe-música: Nothing Breaks Like a Heart, Mark Ronson feat. Miley Cyrus (ouça-veja)
Uma música: Noite Vazia, Thiago Pethit (ouça)
Uma outra música: Dia Lindo, Terno Rei (ouça)
Uma entrevista: Gabriel Hilair para Nexo (leia)
Uma matéria: Indígenas e Gays: jovens contam como é ser LGBT dentro e fora das aldeias, G1 (leia)

Um Tom pra Cantar

Medalhões, novos nomes e artistas com algum tempo de estrada apresentaram singles, EP’S e álbuns instigantes provando que, a produção musical brasileira de 2018, é uma das mais potentes e instigantes da última década. Montei uma playlist de 25 músicas que passeia por vários gêneros e da um breve panorama do que foi lançado no último. Então aperte o play e divirta-se.

play

Das Semanas

Ainda de 2018…

Um documentárioImpério dos Memes, Bert Marcus (trailer)
Um livro: Caminhando Contra o Vento, Igiaba Scego (leia o 1º capítulo)
Um outro livro: Sérgio Y. Vai à América, Alexandre Porto Vidal (leia um trecho)
Um clipe: Pantera Negra Deusa, Daniela Mercury (veja)
Uma música: Calmô, Liniker e os Caramelows (ouça)
Uma outra música: Chapadinha na Praia, Duda Beat (ouça)

Tinta Bruta: Solidão Fluorescente na Tela Grande

Depois de uma estreia decepcionante – ao menos para mim – com o morno Beira-Mar, a dupla de cineastas gaúchos Filipe Matzembacher e Márcio Reolon mantém o olhar nas questões contemporâneas do universo LGBTQI+ no ótimo Tinta Bruta.

O longa-metragem foi vencedor do principal prêmio do cinema LGBT no mundo, o Teddy,no Festival de Berlim, além de ganhar quatro prêmios, entre eles o de melhor filme, no Festival do Rio, em 2018.

O filme conta a história de Pedro (Shico Menegat) um rapaz introspectivo e recluso que, após sofrer constantes ataques homofóbicos, está sob julgamento depois de ser expulso da faculdade por agredir um de seus colegas de turma.

Para conseguir fechar o mês com as contas quase em dia, o rapaz faz apresentações virtuais e ganha destaque no mundo virtual com o nickname “Garoto Neon”, uma analogia as tintas fluorescentes que ele espalha no corpo durante as performances de webcam de alto teor erótico que realiza para os seus seguidores.

É neste espaço virtual que o personagem se liberta das amarras e deixa a introspecção de lado. Mas tudo muda quando ele descobre que o bailarino Leo (Bruno Fernandes) está fazendo apresentações semelhantes as suas e ‘roubando’ seus clientes/ admiradores/ seguidores.

Para minimizar as perdas, os dois começam a se apresentar em dupla e a partir daí, o filme entra em turbilhão de eventos comuns a boa parte das pessoas – embora tenha particularidades do universo gay – ao apresentar os desdobramentos que essa figura causa no cotidiano de Pedro e debater sobre a solidão urbana e o esvaziamento das grandes cidades.

Na crescente dos acontecimentos, o longa levanta questões como a homofobia e sua violência gratuita, as formas de prazer fluidas e expandidas pela geração pós-millennials – aquela em que as pessoas já nasceram e são criadas com a internet -, além das possíveis novas configurações de relacionamentos.

O filme tem uma belíssima fotografia e uma ótima trilha sonora que dialoga com o melhor da nova cena musical brasileira nas vozes e canções de nomes como Jaloo, Carne Doce e Letrux que auxiliam na forma de contar essa história que leva o espectador a refletir sobre a sensação de não pertencimento, de estar só mesmo estando constantemente conectado.

Das Semanas

Um filme: Infiltrado na Klan, Spike Lee, (trailer)
Um outro filme: As Viúvas, Steve McQueen (trailer)
Mais um filme: As Boas Maneiras, Juliana Rojas e Marco Dutra (trailer)
Ainda um filme: Tinta Bruta, Filipe Matzembacher e Márcio Reolon (trailer)
Um musical: Elza, Duda Maia (saiba mais)
Uma peça de teatro: A Ponte, Adriano Guimarães  (saiba mais)
Uma exposição: Raiz, Ai Weiwei, Oca Ibirapuera (saiba mais)
Uma outra exposição: Mulheres Radicais: Arte Latino-Americana [1960-1985], Pinacoteca (saiba mais)
Mais uma exposição: Ocupação Ilê Aiyê, Itaú Cultural (saiba mais)