Um comentário
600.
É o número de outdoors (nem sei se existe esse plural) que o pastor Silas Malafaia espalhou pela cidade do Rio de Janeiro com o intuito de “preservar” a espécie humana.
Da maior importância
Li no Folha Online, uma curta matéria publicada no dia 20/09, em que o Secretário de Estado para as Políticas para a Família da Itália, Carlo Giovanardi, se posiciona contra a adoção de crianças por casais homossexuais. Até ai, “tudo bem”! É apenas mais um contra as causas relacionadas aos direitos gays.
Mas o bizarro é o motivo. Segundo ele, a adoção por pessoas do mesmo sexo fez com que o comércio – isso mesmo - a venda de menores “explodisse”. De acordo com dados do próprio, “a compra e venda de crianças é um fenômeno que pode ser compreendido dentro do mecanismo do mercado”.
Leia matéria na íntegra aqui.
Em que parâmetros essas pessoas se apóiam para afirmar tais coisas? O fato de você se relacionar amorosa e sexualmente com alguém do mesmo sexo faz de você um “vendedor” de pessoas?! A declaração de Carlo Giovanardi fez-me lembrar a fala de outro italiano, o Cardeal Tarcisio Bertone, que em abril desse ano, relacionou homossexualidade à pedofilia. Na época, escrevi um texto meio inflamado, mas que tenta pontuar algumas idéias, para mostrar que não existe proximidade alguma entre orientação sexual e pedofilia.
Além de publicar o texto aqui nessa postagem, fico pensando que falta uma postura forte e política da classe homossexual. Enquanto não se criar visibilidade sobre a comunidade homossexual, vai ficar difícil evitar declarações preconceituosas como as proferidas pelo secretário e pelo cardeal italiano.
Pedofilia: Abuso é crime, homossexualidade não
Por Leonardo Vais
“Muitos psicólogos e psiquiatras demonstraram que não há ligação entre celibato e pedofilia, mas muitos outros demonstraram, ouvi dizer recentemente, que há uma relação entre homossexualidade e pedofilia”. Com esta declaração, o secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Tarcisio Bertone, tentou desvincular, no início de abril, a pedofilia do celibato, associando o abuso à homossexualidade.
Os problemas da igreja com a homossexualidade são de longa data. Na verdade, os problemas da igreja com quaisquer coisas que “fujam” do que é o padrão vigente, são de longa data. A camisinha, por exemplo, é um problema. Mesmo vivendo em um mundo pós-AIDS, com um continente como o Africano, devastado pelo HIV, a recomendação do clero é que não se use preservativo. Imagine a postura conservadora e hipócrita da Igreja, diante de casos de pedofilia, em que os padres são os principais acusados? Preferiram transferir a culpa para outro grupo, no caso, os homossexuais.
Até onde se sabe, a homossexualidade é uma variante do comportamento humano, ou seja, um indivíduo se sente sexualmente atraído por pessoas do mesmo sexo. E aqui eu me refiro a pessoas adultas, diferente dos casos que vêm sendo noticiados, onde padres se relacionam com adolescentes, pré-adolescentes e crianças. O interesse sexual de adultos por menores, que é o que caracteriza a pedofilia, não está relacionado com a orientação sexual, e sim, a repressão que eles podem ter tido, gerando a parafilia (ou desvio sexual).
O que vem à tona com estas histórias é a hipocrisia da igreja na forma como trata seus problemas. Uma declaração irresponsável, como a desse senhor, que associa um crime de abuso, que indigna toda uma sociedade, predominantemente católica, a uma classe que só tem de “diferente” a orientação sexual é um atestado de ignorância. E o desconhecimento do que seja a decência. Homossexuais comem, riem, pagam impostos, dão bom dia como qualquer outra pessoa.
Atribuir responsabilidade a outros e se isentar da culpa por pertencer a uma instituição que tem pensamentos retrógrados, e que não é capaz sequer de admitir que as pessoas usem camisinha, é, no mínimo, irresponsável. Para não dizer condenável. Está na hora de dogmas serem revistos. Vaticano, bem-vindo ao século XXI.
Agradecimento especial à Stela Lopes

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