No Divã

Fui ao cinema ver Divã, novo blockbuster do cinema brazuca. Mas o que mais me chamou atenção no filme, além da excelente atuação de Lília Cabral, foi o roteiro, baseado na obra homônima de Martha Medeiros.
Martha, para quem não conhece é gaúcha, cronista, poeta e romancista das boas. Escreve aquelas verdades, sempre de forma objetiva, com humor peculiar, te dando um insight, um puxão de orelha ou colocando um sorriso no canto da sua boca, após a leitura.
Ela pode falar do Woody Allen, da mulher banana, do casamento, da Madonna. Ela pode estar falando de qualquer coisa, sempre é interessante. Disseram-me uma vez, que seus textos parecem de auto-ajuda. Eu confesso que adoro este tipo ajuda. E recomendo seu Divã para quem quiser deitar.
Para F.B.
Ana Carolina não é nem de longe uma das minhas cantoras preferidas. Mas ao sair da sessão de Divã, que termina ao som de Pra Rua Me Levar, de autoria dela, não consigo tirar a canção da cabeça. E como na voz de Maria Bethânia tudo vira ouro, fica aqui o encontro das águas baianas com as montanhas mineiras para o menino colatinense que mora no interior deste rapaz da cidade.
Dura na Queda

Elza Soares. A diva, a negra, a mulata assanhada. A perigosa (como se denomina no show que divide o palco com o grupo Farofa Carioca). A mulher de fibra. De coragem. A dama do samba, do jazz, do hip hop brazuca. Que canta o que quiser. Ópera até. A voz da BBC de Londres. Que canta com Louis Armstrong e D2. Inspirou Caetano, Chico, Benjor. É tida como rainha pelas novas gerações. E joga de igual com as novatas. Em forma e voz. E é veterana.
“Samba não tem geometria”
E enfrenta. Tudo. A pobreza, o preconceito, a dor. Perdeu o segundo filho, pra fome, aos 15 anos. Sobreviveu. Perdeu o amor no auge da vida. Sobreviveu. Perdeu o filho. Sobreviveu. Caiu do palco. De altura estratosférica. Sobreviveu. Teve diverticulite. Subiu ao palco em recuperação. Sobreviveu. Viveu! Com o perdão da concordância, mas Elza viveu. Sobreviver não combina com ela. Elza vive.

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