KOOLTURETEVICIADA

Depois de Paris

Publicado em opinião, outros assuntos por Vais Leo em 31/01/2012

Por Danuza Leão

A primeira frase do livro Paris: Biografia de uma Cidade [ed. L&PM, tradução de José Carlos Volcato e Henrique Guerra, 592 págs., R$ 94), de Colin Jones, é "Nunca vemos Paris pela primeira vez; sempre a vemos de novo...".

Isso foi escrito em 1878 por Edmondo de Amicis [escritor italiano], e a cada dia que passa é mais verdade. Quem não conhece Paris por meio dos livros que leu, das fotos e filmes que viu, sobretudo dos sonhos que sonhou?

Pergunte a alguém que nunca viajou qual a cidade que ela mais gostaria de conhecer, e a resposta virá imediata: Paris.

Desde pequena, vivo no Rio de Janeiro, mas não tenho a menor pretensão de dizer que conheço minha cidade. Os parisienses também não conhecem a deles, talvez apenas os guias de turismo a conheçam um pouco.

E a cidade tem tanta história que, para conhecê-la profundamente – ou mesmo superficialmente –, é preciso estudá-la.

Existem moradores que vivem na margem direita do Sena e se orgulham de jamais terem atravessado o rio – e vice-versa. Eu mesma, que tive a sorte de morar na cidade duas vezes – uma por dois anos, a outra por cinco –, conheço pouco Paris.

Como das duas vezes fui para morar, nunca percorri Paris como turista, mas me sinto personagem da música que cantava Josephine Baker -”j’ai deux amours, mon pays et Paris” [tenho dois amores, meu país e Paris]-, e nunca houve uma viagem que eu fizesse que não terminasse na “minha” cidade – o que já aconteceu dezenas de vezes. Seria inimaginável que fosse de outra maneira.

Às vezes passo pouco tempo, e como meu bairro é Saint-Germain-des-Prés, já me peguei dizendo, várias vezes: “dessa vez nem fui à Rive Droite” [margem direita].

E me sinto tão integrada à Rive Gauche [margem esquerda], que, se um dia me proibissem de ir à Rive Droite, eu sofreria um pouco, mas não me faria tão mal assim.

No fundo, muitos dos maiores parisienses são um orgulhoso inglês, um tunisiano ou uma brasileira como eu, e, como todos os verdadeiros parisienses, somos ignorantes de nossa cidade e limitamos nossos comentários a nosso bairro de coração ou aos cais do Sena.

Nossa ligação com a cidade é mais baseada no amor do que no conhecimento. (mais…)

-SSE

Publicado em Uncategorized por Vais Leo em 01/05/2009

livroerly01

Nem sempre leio em casa. É como e onde prefiro ler, mas o computador, o DVD, a TV e as canções geralmente me distanciam dos livros. Por isto, eles acabam sendo meus companheiros de buzão. De casa para faculdade, da faculdade para o estágio, do estágio para o cinema e assim vai. Nestas circunstâncias,  já me fizeram companhia, Danuza Leão e seu Quase Nada, Gabriel Garcia Marquez e suas Memórias de Minhas Putas Tristes, João Ubaldo Ribeiro e A Casa dos Budas Ditosos. Há três semanas atrás minha companhia foi –SSE, do Erly Vieira Jr.

Livro pequeno, 79 páginas. Contos curtos. Personagens reais em histórias fictícias. Histórias reais e personagens ficcionais. O livro me parece isto. A proximidade daquelas histórias me dá esta sensação. Parece um olhar em perspectiva sobre a vida. Acho que arte é isto né? Identificação. Desde a linda capa, uma ilustração de David Caetano, até os contos que dizem coisas simples e delicadas, como esta: “Depois da chuva, quem se habilita a percorrer suas próprias planícies de algodão?”.

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