Bebel Gilberto acaba de lançar seu novo cd, AllInOne. Aquelas delícias de sempre: bossa, pop, eletrônica de leve e a persona de Bebel pela coisa toda. No meio disto uma versão matadora de “The Real Thing” do Stevie Wonder. Dançante, sensual, very happy. Aquelas músicas animam o dia. Luxo puro!
Há algum tempo, venho querendo lhe escrever e responder ao seu último email. Simultaneamente me pareceria melhor conversar com você e dizer o que tenho a dizer de viva voz. Mas pelo menos será por escrito.
Como você pôde ver, não tenho estado bem ultimamente. É como se não me reconhecesse na minha própria existência. Uma espécie de angústia terrível, contra a qual não posso fazer grande coisa, senão seguir adiante para tentar superá-la, como sempre fiz. Quando nos conhecemos, você impôs uma condição: não ser a “quarta”.
Mantive o meu compromisso: há meses deixei de ver as outras, não achando obviamente um meio de vê-las, sem fazer de você uma delas. Achei que isso bastasse; achei que amar você e o seu amor seriam suficientes para que a angústia que me faz sempre querer buscar outros horizontes e me impede de ser tranquilo e, sem dúvida, simplesmente feliz e ”generoso” se aquietasse com o seu contato e na certeza de que o amor que você tem por mim foi o mais benéfico para mim, o mais benéfico que jamais tive, você sabe disso.
Achei que a escrita seria um remédio, que meu desassossego se dissolveria nela para encontrar você. Mas não. Estou pior ainda; não tenho condições sequer de lhe explicar o estado em que me encontro. Então, esta semana, comecei a procurar as “outras”. E sei bem o que isso significa para mim e em que tipo de ciclo estou entrando. Jamais menti para você e não é agora que vou começar. Houve uma outra regra que você impôs no início de nossa história: no dia em que deixássemos de ser amantes, seria inconcebível para você me ver novamente. Você sabe que essa imposição me parece desastrosa, injusta (já que você ainda vê B., R., …) e compreensível (obviamente…); com isso, jamais poderia me tornar seu amigo. Mas hoje, você pode avaliar a importância da minha decisão, uma vez que estou disposto a me curvar diante da sua vontade, pois deixar de ver você, de falar com você, de apreender o seu olhar sobre as coisas e os seres e a doçura com a qual você me trata são coisas das quais sentirei uma saudade infinita. Aconteça o que acontecer saiba que nunca deixarei de amar você da maneira que sempre amei desde que nos conhecemos, e esse amor se estenderá em mim e, tenho certeza, jamais morrerá. Mas, hoje, seria a pior das farsas manter uma situação que você sabe tão bem quanto eu ter se tornado irremediável, mesmo com todo o amor que sentimos um pelo outro. E é justamente esse amor que me obriga a ser honesto com você mais uma vez, como última prova do que houve entre nós e permanecerá único.
Gostaria que tudo tivesse tomado um rumo diferente.
Cuide de você
O e-mail de Gregóire Bouilier, na íntegra, como recebido por Sophie Calle. Publicado originalmente na Marie Claire de junho/08.
Samba da Monalisa – Tetine vs Sophie Calle é o nome do álbum realizado pelo duo brasileiro Tetine inspirado no filme No Sex Last Night, de 1992, dirigido por Sophie Calle, em parceria com seu namorado de então, o americano Greg Shephard.
Radicados em Londres, o Tetine, que é formado pela artista Eliete Mejorado e pelo poeta e músico Bruno Verner, mistura música eletrônica a performance e arte visual. O álbum concebido em parceria com Sophie Calle, faz parte do projeto Melt, que consiste em reunir artistas em parcerias até então inéditas.
O CD, que foi gravado em dois dias, é formado por trechos das falas dos protagonistas coladas ao som criado pela dupla. Lançado em 2002, pelo selo Sulphur Records, do artista Robin Rimbaud, tem hoje edição esgotada e tornou-se um cult.
Forçados a ficar em repouso, por motivos distintos, dois irmãos passam a trocar e-mails, que rendem este belo trabalho onde reflexões, desabafos e novas perspectivas dão o tom. Vídeo realizado em 2004 por Cláudio e Gustavo Santos.
Esta é a possível capa de Celebration, a coletânea de hits selecionada por Madonna para marcar o fim de sua parceria com a Warner Music. A capa traz uma imagem retrabalhada da Madonna dos anos 80, algo entre True Blue (1986) e Who’s That Girl (1987).
Celebration também é o nome do primeiro single, que foi produzido pela cantora em parceria com o DJ Paul Oakenfold, e deve incluir mais duas canções inéditas, com os prováveis títulos de Broken e Revolver. CD e DVD tem previsões de lançamento para 29 de setembro de 2009.
Entre a linguagem experimental e o pop, cantora se consolidada com uma das vozes mais criativas da nova geração
Cavaquinho e voz. Assim, da forma mais tradicional de se apresentar um samba, começa “Sobre o Amor e seu Trabalho Silencioso”, vinheta de abertura de Vagarosa, novo álbum da cantora CéU, uma das vozes mais expressivas na nova música brasileira, que tem na mistura do regional com o moderno (algo que os tropicalistas já pregavam) seu ponto criativo. Isto fica claro na segunda música “Cangote” um reggae/ dub, com ruídos e uma bateria marcada.
“Cangote”, “Sonâmbulo”, com levada reggae/ ska, e a ótima “Bubuia”, com toque oriental e as contribuições na feitura e nos vocais de Anelis Assumpção e da diva Thalma de Freitas, são músicas já conhecidas do público, pois foram lançadas, meses atrás, em um EP, que incluía ainda “Visgo da Jaca” (que ficou de fora do álbum), que apontava o caminho deste trabalho.
E o caminho tomado é dose exata entre experimentação, mistura e apelo pop. “Nascente”, parceria da moça com Siba é um ótimo exemplo disto. Arranjo meio etéreo, com uma pegada meio percussiva, uma letra meio viajante e um trompete que corre a melodia, mas sem nunca deixar lado pop desaparecer. Por este caminho também segue a versão de “Rosa, Menina Rosa”, do clássico álbum Samba Esquema Novo, do grande Jorge Ben. Acompanhada pela banda Los Sebosos Postizos (formada por integrantes da Nação Zumbi, entre outros músicos, que tocam exclusivamente canções do Babulina), o arranjo desta canção tem ecos de jazz, guitarrinha roqueira no começo, uma bateria que oscila entre os maracatus e o dub. Tudo funciona a perfeição.
Talentosa (compôs doze, das treze canções do álbum e é uma das produtoras do mesmo), linda (vide as fotos do belíssimo encarte) CéU, que tem uma série de shows internacionais agendados, esta pronta para dominar o mundo, assim como seu nome sugere.
Um dos maiores fenômenos pops do Brasil, Wilson Simonal, teve uma carreira meteórica que acabou com uma acusação dele ser informante da polícia na época do regime militar.
“Ninguém sabe o duro que eu dei” é produzido pelo casseta Cláudio Manoel e vem jogar luz sobre os fatos e esclarecer o que aconteceu e dar o real valor a uma das maiores vozes deste país.